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Júlia Quoos

Projetos

Bastidores do painel de dados da educação no Vale do Rio Pardo

Como juntei o Censo Escolar do INEP e o Censo do IBGE de 21 municípios gaúchos em um painel interativo, e as decisões que os dados públicos exigem.

Foto de Júlia Roberta Quoos Alves Por 3 min de leitura

O painel de dados da educação no Vale do Rio Pardo reúne escolas, matrículas, estrutura das escolas, alfabetização e renda de 21 municípios gaúchos, de 2010 a 2025. Neste texto conto de onde vêm os números e quais decisões precisei tomar no caminho, porque é nelas que um painel com dados públicos fica confiável ou não.

Duas fontes que não conversam sozinhas

A parte da escola vem dos microdados do Censo Escolar da Educação Básica, do INEP, nas edições de 2010, 2022 e 2025, considerando só as escolas em atividade. A parte de fora da escola vem do IBGE: os Censos Demográficos de 2010 e 2022 consultados no Sidra, o PIB dos Municípios e a Produção Agrícola Municipal.

Cada fonte tem o seu recorte, o seu calendário e o seu jeito de nomear as coisas. O trabalho começa por colocar tudo na mesma chave, o código do município do IBGE, e por decidir quais anos dá para comparar de verdade.

Comparar só o que é comparável

Três cuidados aparecem no próprio painel, nas notas sobre os dados:

  • Nem toda pergunta existia em 2010. Água potável e acessibilidade nas escolas não eram perguntadas no Censo Escolar de 2010. Em vez de inventar uma linha de base, o painel mostra esses itens só a partir de quando existem.
  • A mesma palavra pode medir coisas diferentes. Em 2022, "água da rede" no Censo Demográfico conta os domicílios que usam a rede como forma principal. Por isso a comparação com 2010 é aproximada, e o painel diz isso.
  • Dinheiro de anos diferentes não se soma direto. Os valores em reais de 2010 foram corrigidos pelo IPCA antes de qualquer comparação de renda.

Outro detalhe: as matrículas, turmas e professores de 2025 ainda não estavam publicados quando montei o painel. Os gráficos de matrículas param em 2022 e avisam por quê.

Quando o dado vem de um gráfico

Alguns valores de 2010 dos municípios vizinhos de Candelária (água, lixo, alfabetização e renda) só estavam disponíveis em um gráfico, não em tabela. Eu li esses valores pela posição no gráfico original. Eles entram no painel em cinza e com asterisco, para que ninguém confunda estimativa com dado medido. A alfabetização de 2010 na região de Santa Cruz do Sul foi calculada a partir do avanço em pontos percentuais e pode variar 0,1 ponto.

Marcar a incerteza dá mais trabalho do que esconder, mas é o que permite a alguém usar o painel numa reunião de escola ou numa reportagem sem medo de errar.

Regiões que se sobrepõem

O painel tem três recortes: Candelária e vizinhos (9 municípios), Novo Cabrais e vizinhos (5) e a microrregião de Santa Cruz do Sul do IBGE (16). Alguns municípios aparecem em mais de uma região, por isso a soma das regiões passa de 21. O mapa usa a malha municipal do IBGE.

Para um município, também fiz uma página própria, a de Novo Cabrais, que conta em texto o que mudou nas escolas e na vida de quem mora lá entre 2010 e 2022.

O que fica de lição

Um painel com dados públicos não é só gráfico. É uma série de pequenas escolhas: o que comparar, o que deixar de fora, como mostrar a incerteza. Deixar essas escolhas escritas na própria página, em "Fontes e notas", é o que separa um painel bonito de um painel útil.

Os dados tratados são de uso livre com citação da fonte. Se encontrar algum erro ou tiver sugestão de indicador, escreva para contato@ohtopico.com.br.